O Simples Nacional é, sem dúvida, o regime tributário mais popular entre pequenas e médias empresas brasileiras. Criado para unificar tributos e reduzir a burocracia, ele parece ser sempre a escolha ideal. Mas será que isso é verdade?
A resposta é: depende. Embora o Simples Nacional ofereça muitas vantagens, ele nem sempre é o mais econômico — e pode, em certos casos, resultar em uma carga tributária maior do que outros regimes, como o Lucro Presumido ou o Lucro Real.
Neste artigo, você vai entender:
- Quando o Simples Nacional pode não ser a melhor escolha;
- Quais são os principais limites e desvantagens do regime;
- E quais são os benefícios dos regimes alternativos, especialmente para empresas que faturam mais ou têm características específicas.
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O que é o Simples Nacional?
O Simples Nacional é um regime de tributação voltado para microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões. Ele unifica o pagamento de diversos tributos federais, estaduais e municipais em uma única guia mensal: o DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional).
Os tributos incluídos são:
- IRPJ (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica);
- CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido);
- PIS/Pasep;
- Cofins;
- IPI (para indústria);
- ICMS (estadual);
- ISS (municipal);
- INSS patronal (para empresas do Anexo IV).
Em muitos casos, ele é vantajoso pela simplicidade, mas nem sempre pelo custo. Vamos entender por quê?
🚨 Quando o Simples Nacional não é a melhor opção?
Apesar da praticidade, o Simples pode ser menos econômico e até prejudicial em alguns contextos. Veja os principais motivos:
1. Alíquotas efetivas mais altas do que em outros regimes
No Simples Nacional, a alíquota varia de acordo com o faturamento bruto dos últimos 12 meses e o tipo de atividade. À medida que o faturamento aumenta, a alíquota também sobe, o que pode causar efeito “degrau” na tributação.
Além disso, empresas de serviços (como consultorias, advocacia, TI, saúde, entre outros) muitas vezes estão no Anexo III ou V, que têm alíquotas iniciais de 6% ou 15,5%, podendo chegar a 33%, dependendo do fator “r”.
👉 Em alguns casos, o Lucro Presumido resulta em uma carga total de 13,33% a 16,33%, o que pode ser mais vantajoso.
2. Poucas possibilidades de deduções legais
No Simples Nacional, os tributos são calculados sobre o faturamento bruto, sem considerar despesas operacionais, folha de pagamento, aluguel, insumos ou investimentos.
Já no Lucro Real, por exemplo, a tributação incide sobre o lucro líquido real da empresa — ou seja, é possível deduzir várias despesas e pagar menos imposto em períodos de baixa lucratividade.
3. Empresas com poucos funcionários e folha reduzida pagam mais
Para empresas prestadoras de serviços, o fator “r” influencia diretamente em qual anexo a empresa será enquadrada. Se a folha de pagamento (INSS + salários) for inferior a 28% do faturamento, a empresa pode ser tributada no Anexo V, com alíquotas mais altas.
Ou seja, quem não tem funcionários registrados pode ser penalizado com uma carga maior no Simples.
4. Limite de R$ 4,8 milhões pode ser um obstáculo ao crescimento
Empresas em fase de expansão precisam ficar atentas ao teto de faturamento do Simples Nacional. Se ultrapassarem o limite:
- Serão automaticamente desenquadradas;
- Poderão ter que recolher retroativamente impostos pelo regime novo (Lucro Presumido ou Real);
- Perderão a simplicidade na gestão, sem o devido planejamento.
📌 Isso pode comprometer o planejamento financeiro e a continuidade do negócio.
5. Atividades restritas ou vedadas no Simples Nacional
Nem todas as empresas podem optar pelo Simples. Estão fora do regime:
- Empresas com sócios estrangeiros;
- Empresas do setor financeiro (bancos, factoring, seguradoras);
- Empresas com participação em outras sociedades;
- Algumas atividades reguladas, como corretoras de seguros e empresas de transporte intermunicipal de passageiros.
Quais são os benefícios de outros regimes tributários?
Quando o Simples Nacional não é vantajoso, o empresário pode optar por:
Lucro Presumido
É um regime simplificado para empresas com faturamento de até R$ 78 milhões por ano.
Características:
- A Receita presume um lucro fixo com base na atividade (8% para comércio, 32% para serviços);
- Os impostos federais são calculados sobre essa presunção, não sobre o lucro real;
- Permite separar rendimentos de sócios via pró-labore e distribuição de lucros.
Vantagens:
- Alíquotas federais fixas e, muitas vezes, mais baixas do que no Simples;
- Boa opção para empresas com alta lucratividade e poucas despesas dedutíveis;
- Permite emissão de nota fiscal normal e atende a grandes clientes.
Lucro Real
Obrigatório para empresas com faturamento superior a R$ 78 milhões ou que exerçam determinadas atividades (como bancos), mas pode ser vantajoso para empresas com margens apertadas.
Características:
- Os impostos são calculados com base no lucro contábil efetivamente apurado;
- Permite deduzir despesas operacionais legais;
- Exige contabilidade completa e detalhada.
Vantagens:
- Ideal para empresas com baixo lucro ou prejuízo;
- Mais justo em cenários de oscilação de receitas;
- Permite uso de créditos tributários e compensações.
O efeito “degrau” e a armadilha do excesso de faturamento
Um dos problemas menos comentados — mas que causa impacto direto na lucratividade das empresas optantes pelo Simples Nacional — é o chamado efeito degrau.
À medida que o faturamento da empresa aumenta, a alíquota do Simples também sobe. Essa elevação é feita por meio de faixas progressivas, definidas nos anexos do regime.
No entanto, ao ultrapassar certos limites de faturamento, a empresa pode mudar de faixa e ser tributada com uma alíquota significativamente maior, afetando o caixa e a margem de lucro.
📌 Exemplo prático: uma empresa que sai da faixa de 6% para 11,2% de alíquota pode ver sua carga tributária quase dobrar, mesmo sem um aumento proporcional no lucro.
💡 Empresas com margens reduzidas ou com crescimento rápido devem redobrar a atenção ao faturamento acumulado dos últimos 12 meses, para evitar essa armadilha tributária.
Simples Nacional nem sempre é vantajoso em setores específicos
Alguns segmentos, mesmo se enquadrando no Simples, podem ter desvantagens claras ao permanecer nesse regime, principalmente:
- Serviços intelectuais ou de caráter técnico-científico, como contabilidade, engenharia, medicina, advocacia e TI, que são penalizados com alíquotas elevadas caso não tenham folha de pagamento robusta;
- Comércios com margens de lucro muito pequenas, nos quais a tributação sobre o faturamento impacta de forma mais agressiva;
- Empresas exportadoras ou com operações interestaduais, que enfrentam limitações no aproveitamento de créditos de ICMS e PIS/COFINS.
📌 Nestes casos, regimes como o Lucro Presumido ou Real podem representar uma economia tributária relevante, além de melhor aproveitamento de benefícios fiscais.
Simulações financeiras: o segredo para tomar a melhor decisão
Para saber se vale mais a pena permanecer no Simples ou migrar para outro regime, é essencial fazer simulações comparativas com base na realidade financeira da empresa.
Um bom planejamento tributário deve incluir:
- Comparação das alíquotas efetivas em cada regime;
- Projeção de faturamento e lucro líquido;
- Estimativa do impacto da folha de pagamento;
- Possibilidade de aproveitamento de despesas dedutíveis (no Lucro Real);
- Avaliação da complexidade contábil e obrigações acessórias.
💡 Muitas vezes, a migração para o Lucro Presumido reduz a carga tributária sem aumentar significativamente a burocracia — especialmente se você contar com uma contabilidade estratégica.
Simples Nacional não elimina a responsabilidade contábil
Um erro comum entre empresários optantes pelo Simples Nacional é achar que não precisam de contabilidade estruturada, já que o regime é simplificado. Isso é um mito!
Mesmo no Simples, a empresa:
- Precisa manter escrituração contábil básica;
- Deve emitir notas fiscais corretamente e manter controle sobre entradas e saídas;
- Pode ser fiscalizada a qualquer momento pela Receita Federal, Estado ou município;
- Deve apresentar declarações como DEFIS e PGDAS-D, além de cumprir com obrigações acessórias municipais e estaduais.
📌 Contar com um contador experiente é essencial, mesmo no Simples, para evitar autuações, manter a regularidade e tomar decisões baseadas em dados.
Como escolher o melhor regime tributário para sua empresa?
A escolha do regime tributário não deve ser feita com base em achismos. É necessário fazer um planejamento tributário completo, considerando:
- Volume de faturamento atual e previsto;
- Margem de lucro;
- Tipo de atividade e CNAE;
- Número de funcionários e folha de pagamento;
- Estrutura de custos e despesas operacionais;
- Perfil dos clientes (público final ou empresas que exigem nota fiscal).
📌 Em muitos casos, a empresa começa no Simples e depois migra para o Lucro Presumido ou Real conforme cresce e precisa de mais eficiência tributária.
Conte com um contador estratégico para tomar a melhor decisão
A decisão sobre o regime tributário ideal não é apenas uma obrigação fiscal — é uma estratégia empresarial. Um erro nessa escolha pode levar sua empresa a pagar muito mais impostos do que o necessário.
Ao contar com uma contabilidade consultiva e especializada, como a da Qualic Contabilidade, você garante:
✅ Análise completa do seu cenário;
✅ Simulações com base em números reais;
✅ Economia tributária dentro da legalidade;
✅ Planejamento de crescimento com segurança jurídica.
Conclusão: o Simples nem sempre é tão simples — e pode sair caro!
O Simples Nacional é uma excelente opção para muitas empresas, mas não é a melhor escolha em todos os casos. Dependendo do seu faturamento, atividade e estrutura de custos, regimes como Lucro Presumido ou Lucro Real podem ser mais econômicos e vantajosos.
Não decida no escuro. Faça um planejamento tributário com especialistas e descubra qual regime realmente favorece o seu negócio. 💼✅
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